Projeto Alfabetização Solidária em Porto Ferreira-SP

Padrão

Ninguém é tão grande que não possa aprender, nem tão pequeno que não possa ensinar

Autor Desconhecido

O projeto a ser desencadeado através da ONG-CIEDAM Cidadania e Vida e da Escola Estadual de Primeiro e Segundo Graus Washington Luis, em Porto Ferreira, através do Programa Escola da Família, tem como prioridade a Alfabetização de Jovens e Adultos, que chamamos “Alfabetização Solidária”, focado inicialmente, na Cooperativa Ferreirense de Reciclados – Coofer, podendo, num segundo momento, ser ampliado a toda a Comunidade local.

O que é o Processo?

Dando os primeiros passos.... juntos!

O aprendizado através do Método Paulo Freire, tem a percepção de que o analfabetismo, sendo em si mesmo um fator de marginalização e dependência, é usado como instrumento de contenção do aperfeiçoamento intelectual e uma barreira ao desenvolvimento da consciência humana.

A partir dessas percepções e considerando o conjunto das circunstâncias sociais, o método alternativo, que, do ponto de vista prático, torna possível a realização de um trabalho educativo rápido, de baixo custo, aproveitando os elementos do meio ambiente dos educandos e, por tudo isso, imediatamente aplicável às pessoas que dele necesitam, com urgência. E sob o aspecto pedagógico seu método oferece a grande vantagem de proporcionar, concomitantemente, alfabetização, educação e conscientização, promovendo a inserção social dos educandos e libertando-os como pessoas. Essa conjugação de elementos, rompendo as limitações convencionais da divisão em educação formal e informal e inserindo a alfabetização num processo de estímulo e valorização da capacidade intelectual das pessoas, é, em síntese, o chamado “método Paulo Freire”.

Através dele educadores do mundo inteiro perceberam que uma pedagogia pode e deve ser muito mais do que um processo de treinamento ou domesticação. O método Paulo Freire teve, entre outros, o efeito benéfico de demonstrar a pobreza e os graves inconvenientes de linhas pedagógicas que só procuram transmitir técnicas e exterioridades, sem cuidar do essencial que é o verdadeiro desenvolvimento da pessoa humana, pelo estímulo ao despertar e à evolução de todas as suas potencialidades.

 

Parcerias e Relações com a Sociedade Civil

O sentido do trabalho em parcerias é efetivado por meio de ações que possibilitam um processo educativo na constituição das políticas públicas da que incida na compreensão de educação pública, pois ao possibilitar o estabelecimento de alianças entre instituições e a sociedade civil organizada, alimenta interlocuções que qualificam a participação dos cidadãos no processo de educação/socialização, formando redes, que incluem a instituição e outros atores como protagonistas destas iniciativas.

Por isso, ações por meio de parcerias aproximam-se de uma rede de espaços em que a escolarização para jovens e adultos está em interação com a vida, consolidando o processo da educação em permanência, articulando ações que envolvam questões culturais, qualificação para o trabalho, pesquisa e grupos de estudos.

Estrutura e Funcionamento

As aulas têm duração diária de 3 horas durante 2 dias por semana (sábado e domingo). Podendo ser melhor distribuída para mais dias, dependendo da disponibilização da escola e dos educandos.

O material didático a ser usado nas aulas, poderá ser providenciado pela Escola, pela ONG e pelos educandos, já que são materiais que fazem parte do nosso dia-a-dia e são relativamente de baixo custo, como papel (inclusive, bobinas papel reciclado),tinta guáche, lápis de cor, bola, equipamento de som, video, etc.

Formação Pedagógica

Um dos objetivos de nosso envolvimento com a Alfabetização Solidária é proporcionar a todos os educadores envolvidos no projeto de alfabetização de jovens e adultos, formação permanente que sirva como suporte teórico e prático que conduza paulatinamente à construção coletiva e comprometida de um projeto pedagógico centrado na formação global do ser humano.

O trabalho do educador popular exige que ele seja um permanente pesquisador, tenha espírito aberto, compromisso social com o grupo com o qual atua e construa sua prática de modo crítico, autônomo e reflexivo. Isso demanda encontros de planejamento, discussão, estudo e aprofundamento teórico constante, pois educar exige contínua renovação.

Para desenvolver este trabalho é necessária uma proposta pedagógica que assegure tanto o acesso à leitura e à escrita como aos elementos que possibilitem aos educandos fazer uma leitura crítica da sociedade.

Alfabetizar jovens e adultos é um processo construtivo que tem como ponto de partida os conhecimentos e as vivências adquiridas pelos educandos em sua trajetória de vida em sociedade, tanto em relação aos aspectos sócio-culturais como referente aos conhecimentos sobre a língua escrita, a oral e a leitura, na perspectiva de inter-relacioná-los, criticamente, aos conhecimentos construídos socialmente pela humanidade, a fim de ampliá-los e transformá-los.

“A leitura do mundo precede a leitura da palavra”, Paulo Freire.

Para além da decifração do código lingüístico e da lógica matemática, a proposta objetiva despertar o sentimento de consciência de grupo, através das relações sociais que se pode estabelecer a partir deste novo horizonte, defendendo interesses comuns e questionando as desigualdades sociais.

A proposta pedagógica procura desenvolver uma metodologia que tenha um caráter transformador, popular, democrático, processual, sistemático e interdisciplinar, rompendo a forma tradicional de ensino. Dessa forma busca possibilitar os educandos a serem parte integrante do processo de aprendizagem, respeitando o ritmo de cada um.

A concepção de aprendizagem e de currículo passa pela compreensão de que se aprende de forma interdisciplinar, pois se constrói conhecimento a partir da relação com o outro e com o objetivo a ser conhecido. O processo de ensino aprendizagem parte do conhecimento dos alunos, das “experiências
feitas”, e problematiza o conhecimento acumulado, não assimilando-o, mas recriando-o e reelaborando-o.

 

Ação

Uma das estratégias pedagógicas escolhida é a do trabalho com projetos, de forma interdisciplinar, que procura favorecer a construção da autonomia crítica e da autodisciplina, tornando o sujeito ativo, na medida em que ele tem necessidade de pesquisar as mais diversas fontes de informações, analisar, formular hipóteses, calcular, concluir e agir. Também interfere nas relações sociais, fazendo o aluno lidar com as diferenças culturais, étnicas, de gênero e classe, através da convivência e do diálogo e, ao mesmo tempo,
recuperando manifestações socioculturais e afetivas.

Avaliação

Acreditamos que cada alfabetizando tem um tempo, um ritmo, e este tempo/ritmo deve ser respeitado. Sendo assim, o processo avaliado não se resume a testes que mensurem e classifiquem o conhecimento.

Durante este, processo deverá nascer a criação de uma “biografia” sobre a aprendizagem do aluno. Tem que ser um processo contínuo, dinâmico e muitas vezes informal. Avaliar é muito mais que um estabelecimento de conclusões definitivas. Avaliar por sua natureza cíclica, segue um processo de observação e constante reformulação de juízos sobre a compreensão dos alunos. Deve ser fonte de juízos evolutivos por natureza.

A avaliação tem três funções no processo educativo: função diagnóstica, prognóstica (conjectura sobre o que vai acontecer) e investigativa. Funções estas que devem propiciar o rendimento da ação pedagógica e educativa, reorganizando as próximas ações do educando, da turma, dos educadores no sentido de avançar, no entendimento e desenvolvimento do processo aprendizagem.

Compromissos

O primeiro marco é a constituição federal, que assegura, em seu artigo 208, a oferta a todos que não tiveram acesso em idade própria (expressão que não usamos, pois, para aprender, toda idade é própria), e cabe ao poder público inclusive recensear e assegurar os recursos.

Apesar deste direito assegurado, apenas oito anos depois foi aprovada a LDB (Leis de Diretrizes e Bases da Educação) que trata do tema da educação de jovens e adultos. O título III repete a constituição, assegurando o direito, ficando a responsabilidade para o Estado. No capítulo II, título IV, tem uma sessão, porém breve, que assegura a educação de Jovens e Adultos mediante oportunidades apropriadas, considerando-se seu interesse, condições de vida e trabalho, por meio de cursos e exames.

Essa lei, embora pouco inovadora, é muito flexível, possibilitando instrumentos para uma educação de jovens e adultos diferenciada.

Somente em 2001 o Conselho Nacional de Educação aprova, finalmente, o Plano Nacional de Educação (PNE). Tem 26 pontos sobre educação de adultos e é pouco inovador, pois enquanto os compromissos nacionais tentam incorporar a educação formal e não formal, o PNE trata a educação de adultos como educação escolar.

O Brasil está comprometido com este conjunto de compromissos. Argumentos jurídicos não faltam, seja em nível nacional ou internacional. O que nos falta, são portas abertas e a disposição para colocarmos em prática uma lição que todos sabem:

Conhecimento, só faz sentido, se compartilhado.

 

 

Anúncios

»

  1. Olá,

    Por acaso eu entrei na páginas de vcs e fiquei emocionada, encantada e motivado com este
    projeto que vcs desenvolvem.
    Sou psicóloga e faço um trabalho com técnicas de resgate de auto-estima e autoconhecimento para jovens. Acredito no formar para a vida e no autoconhecimento como recusro de transformãção pessoal e social.

    Ah esqueci de falar moro em Catanduva e tenho interesse de manter contato, receber atualizações…..

    PARABÉNS!!!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s