Arquivo mensal: julho 2006

Um novo velho abec está (re)tornando as atividades

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As velhas feiras de trocas, bazares, lugares tão conhecidos de nossos antepassados, estão ganhando de novo, outros e novos espaços. São feiras onde cada pessoa expõe o que sabe fazer para trocar com outras…. desde livros, serviços de encanador, cabelereira, programadores, artesãos, etc… Isso, porque, já está claro, o dinheiro não circula na mão dos pobres… e, não deve circular mesmo, se dependermos de nossas instituições falidas moralmente, porque, dinheiro, é o que não falta a elas.

Essas feiras, são organizadas, normalmente pela própria comunidade, cooperativas, associações, e afins… e acaba virando um lugar para bate-papo, aprendizado…. (numa dessas aprendi a fazer sabão e desinfetante). Isso tudo com base numa economia que à milenios foi vivenciada por outros povos, e hoje, a conhecemos por Economia Solidária. É a partir da Solidariedade que teremos alguma chance para continuar sobrevivendo…. é como diz um pequeno ditado que ouço sempre “pobre vive de teimoso”…

Nesse link oferecido pelo Marcus, tem informações fundamentais para se montar um Clube de Troca…

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Por quê não, sua própria tv?

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Tv é uma concessão pública.

90% dos meios de comunicação brasileiros pertencem a menos de 1% da população. Normalmente, pertencem a políticos. Normalmente recebem (muita) $$ internacional, principalmente jabá norte-americano para dar sequencia ao mirabolante esquema de dominação cultural, no qual fomos submetidos… Normalmente, se diz que a tv aberta é de alta qualidade e de graça! Estamos pagando um preço muito alto por isso… Nada disso é de graça, somente a passividade de um povo tão tropical como o nosso, é de graça!

Através da tv, nossa identidade foi construída e desconstruída o que diariamente justifica a sua existência. interferir nessa surrealidade é re-construí-la. Submergir da cultura do silêncio, um produto da violência, da impotência e da desesperança. Quebrar padrões e obstruir a reprodução do poder estabelecido. [o cotidiano segue dormente esquecido à
brilhante vida da Tv] contratv.net

A essência desse pequeno texto, foi publicada originalmente no midiatica.org.

Veja e distribua esse pequeno manual básico de como neutralizar por uns instantes a sua tv….

Sua TV Mente, por Latuff

Projeto Maria Maria

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Dando seqüência ao nosso trabalho, iniciamos os “projetos”, que são assuntos nos quais colocamos todas as possibilidades que descobrimos de estudos, como: matemática, contabilidade, português, saúde, comportamento, física, química, educação ambiental, culinária, artesanato, e por aí vai…e ainda tem aqueles vão surgindo pelo caminho.

Nosso primeiro Projeto, é a Cooperativa (Coofer-Cooperativa Ferreirense de Reciclados) que está nascendo.

Então temos que aprender coletivamente o que é: viver em grupo, criar e produzir em grupo, dividir o trabalho e a renda. Isso não é uma tarefa fácil! Não somos ensinados a conviver com o grupo. Então, vamos aproveitar isso para aprender a somar, dividir, subtrair, multiplicar…Com a própria contabilidade da empresa. Vamos aprender o por quê dos impostos, quanto vale cada um, quanto vale cada hora trabalhada, quanto vale dedicar quase metade do seu tempo para pagar taxas e afins, quanto vale dividir o trabalho e as dificuldades com o grupo.

O que é valor material e imaterial. Como isso se processa no nosso dia-a-dia.

Valores que estamos descobrindo, que julgavámos esquecidos, coisas como: ajudar nosso colega a levar o material coletado, já que este está com dor nas costas. Ajudar o grupo a montar seu barracão, para juntos, guardarem a coleta do dia. Ensinar para o pessoal uma receita de bolo que você aprendeu com sua avó e, por vários motivos, nos faltam os ingredientes, mas com a ajuda da horta comunitária, podemos fazer outras receitas e, assim por diante. A grande descoberta: Nós ainda temos a chance de viver em comunidade, desde que saibamos nos respeitar e exigir respeito.

Mas, voltando ao Projeto Cooperativa:

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Dentro desse tema, começamos assim: expliquei o que é o Projeto e o que vamos aprender nele. Na seqüência, ouvimos uma música, “Maria Maria, do Milton Nascimento”, e a partir daí, começamos a falar as palavras que lembrávamos da música e recordando as palavras que havíamos aprendido no encontro anterior, onde ouvimos a história da “Águia e da Galinha”.

Desenhamos o alfabeto no canto do quadro negro, para não esquecermos as letras. Na sequencia, falamos as palavras que lembrávamos da música e as mais usadas pelo grupo no dia-a-dia. Formamos trios de pessoas para ir escrever no quadro negro, depois formamos palavras aleatórias, na seqüência, fizemos as palavras se cruzarem, formando uma teia. Mais ou menos como são nossas ações, todas tem relação entre si! E isso é sempre lembrado por alguém do grupo. As palavras que descobrimos e que ficaram mais evidentes nesse encontro foram: “Coragem, Deus, cidadão, dinheiro, fé, garra, gana, força, alegria, suor, amizade.” Ficou claro para todos que a descoberta das letras, das palavras, dos significados são novos para todos do grupo, aqueles que sabem um pouquinho e os outros que estão descobrindo as letras agora…É sempre óbvio e sincero descobrir a cada experiência que “A leitura do mundo precede a leitura da palavra”. PFreire.

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Começamos com a Águia e a Galinha.

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Nosso primeiro encontro, foi com a história que Leonardo Boff nos conta, de uma maneira tão sincera que desperta para reflexão/ação.

Ação, que nos fez conhecer as primeiras letras, as primeiras palavras…qual o significado, qual a significação de águias e galinhas, do galinheiro, do educador, etc…

A partir dessa história, começamos a juntar letras, formar palavras, conhecer o abecedário e por aí vai…

Vivenciando

Veja a história aqui.

 

Começando

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Eu agora diria a nós, como educadores e educadoras: ai daqueles e daquelas, entre nós, que pararem com sua capacidade de sonhar, de inventar a sua coragem de denunciar e de anunciar. Ai daqueles e daquelas que, em lugar de visitar de vez em quando o amanhã, o futuro, pelo profundo engajamento com o hoje, com o aqui e com o agora, ai daqueles que, em lugar desta viagem constante ao amanhã, se atrelarem a um passado de exploração e rotina.

Paulo Freire

 

Esse trabalho, que está começando agora, que pretende ser uma ação coletiva, descentralizada e em constante transformação, está dando seus primeiros passos…

Esses passos, estão se formando com a ajuda generosa, por isso, fundamental, de algumas pessoas, a quem queremos agradecer:

Ao Marcelo, ao Jeff, à Rosangêla, ao Valério, ao Alexandre e, principalmente, ao grupo todo, que está erguendo a Cooperativa de Reciclados…reciclando suas idéias, posicionamentos, atitudes, reciclando a vida!

Isso só tem sentido se vivenciado e sentido coletivamente.

Sigamos em frente, sabendo que os primeiros resultados, estão dentro nós.

“Aos esfarrapados do mundo, e aos que neles se descobrem e, assim descobrindo-se, com eles sofrem, mas, sobretudo, com eles lutam.” PFreire.

 

 

 

 

 

Projeto Alfabetização Solidária em Porto Ferreira-SP

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Ninguém é tão grande que não possa aprender, nem tão pequeno que não possa ensinar

Autor Desconhecido

O projeto a ser desencadeado através da ONG-CIEDAM Cidadania e Vida e da Escola Estadual de Primeiro e Segundo Graus Washington Luis, em Porto Ferreira, através do Programa Escola da Família, tem como prioridade a Alfabetização de Jovens e Adultos, que chamamos “Alfabetização Solidária”, focado inicialmente, na Cooperativa Ferreirense de Reciclados – Coofer, podendo, num segundo momento, ser ampliado a toda a Comunidade local.

O que é o Processo?

Dando os primeiros passos.... juntos!

O aprendizado através do Método Paulo Freire, tem a percepção de que o analfabetismo, sendo em si mesmo um fator de marginalização e dependência, é usado como instrumento de contenção do aperfeiçoamento intelectual e uma barreira ao desenvolvimento da consciência humana.

A partir dessas percepções e considerando o conjunto das circunstâncias sociais, o método alternativo, que, do ponto de vista prático, torna possível a realização de um trabalho educativo rápido, de baixo custo, aproveitando os elementos do meio ambiente dos educandos e, por tudo isso, imediatamente aplicável às pessoas que dele necesitam, com urgência. E sob o aspecto pedagógico seu método oferece a grande vantagem de proporcionar, concomitantemente, alfabetização, educação e conscientização, promovendo a inserção social dos educandos e libertando-os como pessoas. Essa conjugação de elementos, rompendo as limitações convencionais da divisão em educação formal e informal e inserindo a alfabetização num processo de estímulo e valorização da capacidade intelectual das pessoas, é, em síntese, o chamado “método Paulo Freire”.

Através dele educadores do mundo inteiro perceberam que uma pedagogia pode e deve ser muito mais do que um processo de treinamento ou domesticação. O método Paulo Freire teve, entre outros, o efeito benéfico de demonstrar a pobreza e os graves inconvenientes de linhas pedagógicas que só procuram transmitir técnicas e exterioridades, sem cuidar do essencial que é o verdadeiro desenvolvimento da pessoa humana, pelo estímulo ao despertar e à evolução de todas as suas potencialidades.

 

Parcerias e Relações com a Sociedade Civil

O sentido do trabalho em parcerias é efetivado por meio de ações que possibilitam um processo educativo na constituição das políticas públicas da que incida na compreensão de educação pública, pois ao possibilitar o estabelecimento de alianças entre instituições e a sociedade civil organizada, alimenta interlocuções que qualificam a participação dos cidadãos no processo de educação/socialização, formando redes, que incluem a instituição e outros atores como protagonistas destas iniciativas.

Por isso, ações por meio de parcerias aproximam-se de uma rede de espaços em que a escolarização para jovens e adultos está em interação com a vida, consolidando o processo da educação em permanência, articulando ações que envolvam questões culturais, qualificação para o trabalho, pesquisa e grupos de estudos.

Estrutura e Funcionamento

As aulas têm duração diária de 3 horas durante 2 dias por semana (sábado e domingo). Podendo ser melhor distribuída para mais dias, dependendo da disponibilização da escola e dos educandos.

O material didático a ser usado nas aulas, poderá ser providenciado pela Escola, pela ONG e pelos educandos, já que são materiais que fazem parte do nosso dia-a-dia e são relativamente de baixo custo, como papel (inclusive, bobinas papel reciclado),tinta guáche, lápis de cor, bola, equipamento de som, video, etc.

Formação Pedagógica

Um dos objetivos de nosso envolvimento com a Alfabetização Solidária é proporcionar a todos os educadores envolvidos no projeto de alfabetização de jovens e adultos, formação permanente que sirva como suporte teórico e prático que conduza paulatinamente à construção coletiva e comprometida de um projeto pedagógico centrado na formação global do ser humano.

O trabalho do educador popular exige que ele seja um permanente pesquisador, tenha espírito aberto, compromisso social com o grupo com o qual atua e construa sua prática de modo crítico, autônomo e reflexivo. Isso demanda encontros de planejamento, discussão, estudo e aprofundamento teórico constante, pois educar exige contínua renovação.

Para desenvolver este trabalho é necessária uma proposta pedagógica que assegure tanto o acesso à leitura e à escrita como aos elementos que possibilitem aos educandos fazer uma leitura crítica da sociedade.

Alfabetizar jovens e adultos é um processo construtivo que tem como ponto de partida os conhecimentos e as vivências adquiridas pelos educandos em sua trajetória de vida em sociedade, tanto em relação aos aspectos sócio-culturais como referente aos conhecimentos sobre a língua escrita, a oral e a leitura, na perspectiva de inter-relacioná-los, criticamente, aos conhecimentos construídos socialmente pela humanidade, a fim de ampliá-los e transformá-los.

“A leitura do mundo precede a leitura da palavra”, Paulo Freire.

Para além da decifração do código lingüístico e da lógica matemática, a proposta objetiva despertar o sentimento de consciência de grupo, através das relações sociais que se pode estabelecer a partir deste novo horizonte, defendendo interesses comuns e questionando as desigualdades sociais.

A proposta pedagógica procura desenvolver uma metodologia que tenha um caráter transformador, popular, democrático, processual, sistemático e interdisciplinar, rompendo a forma tradicional de ensino. Dessa forma busca possibilitar os educandos a serem parte integrante do processo de aprendizagem, respeitando o ritmo de cada um.

A concepção de aprendizagem e de currículo passa pela compreensão de que se aprende de forma interdisciplinar, pois se constrói conhecimento a partir da relação com o outro e com o objetivo a ser conhecido. O processo de ensino aprendizagem parte do conhecimento dos alunos, das “experiências
feitas”, e problematiza o conhecimento acumulado, não assimilando-o, mas recriando-o e reelaborando-o.

 

Ação

Uma das estratégias pedagógicas escolhida é a do trabalho com projetos, de forma interdisciplinar, que procura favorecer a construção da autonomia crítica e da autodisciplina, tornando o sujeito ativo, na medida em que ele tem necessidade de pesquisar as mais diversas fontes de informações, analisar, formular hipóteses, calcular, concluir e agir. Também interfere nas relações sociais, fazendo o aluno lidar com as diferenças culturais, étnicas, de gênero e classe, através da convivência e do diálogo e, ao mesmo tempo,
recuperando manifestações socioculturais e afetivas.

Avaliação

Acreditamos que cada alfabetizando tem um tempo, um ritmo, e este tempo/ritmo deve ser respeitado. Sendo assim, o processo avaliado não se resume a testes que mensurem e classifiquem o conhecimento.

Durante este, processo deverá nascer a criação de uma “biografia” sobre a aprendizagem do aluno. Tem que ser um processo contínuo, dinâmico e muitas vezes informal. Avaliar é muito mais que um estabelecimento de conclusões definitivas. Avaliar por sua natureza cíclica, segue um processo de observação e constante reformulação de juízos sobre a compreensão dos alunos. Deve ser fonte de juízos evolutivos por natureza.

A avaliação tem três funções no processo educativo: função diagnóstica, prognóstica (conjectura sobre o que vai acontecer) e investigativa. Funções estas que devem propiciar o rendimento da ação pedagógica e educativa, reorganizando as próximas ações do educando, da turma, dos educadores no sentido de avançar, no entendimento e desenvolvimento do processo aprendizagem.

Compromissos

O primeiro marco é a constituição federal, que assegura, em seu artigo 208, a oferta a todos que não tiveram acesso em idade própria (expressão que não usamos, pois, para aprender, toda idade é própria), e cabe ao poder público inclusive recensear e assegurar os recursos.

Apesar deste direito assegurado, apenas oito anos depois foi aprovada a LDB (Leis de Diretrizes e Bases da Educação) que trata do tema da educação de jovens e adultos. O título III repete a constituição, assegurando o direito, ficando a responsabilidade para o Estado. No capítulo II, título IV, tem uma sessão, porém breve, que assegura a educação de Jovens e Adultos mediante oportunidades apropriadas, considerando-se seu interesse, condições de vida e trabalho, por meio de cursos e exames.

Essa lei, embora pouco inovadora, é muito flexível, possibilitando instrumentos para uma educação de jovens e adultos diferenciada.

Somente em 2001 o Conselho Nacional de Educação aprova, finalmente, o Plano Nacional de Educação (PNE). Tem 26 pontos sobre educação de adultos e é pouco inovador, pois enquanto os compromissos nacionais tentam incorporar a educação formal e não formal, o PNE trata a educação de adultos como educação escolar.

O Brasil está comprometido com este conjunto de compromissos. Argumentos jurídicos não faltam, seja em nível nacional ou internacional. O que nos falta, são portas abertas e a disposição para colocarmos em prática uma lição que todos sabem:

Conhecimento, só faz sentido, se compartilhado.